Cotas Trans Já: Para a construção de um futuro melhor!

Texto de Fernanda Mariath e Za Chacon

Ao longo dos dias 24, 25 e 26 de março de 2025, ocorreu a Virada TransCultural da Unicamp, que foi organizada pelo Núcleo de Consciência Trans da Unicamp (NCT), com apoio da Unicamp, do Ateliê TransMoras e do Blogs de Ciências da Unicamp. O festival contou com apresentações artísticas, batalhas de rimas, mesas redondas, mostra científica, shows, performances, exibição de filmes, entre outras atividades. Nós, do Labirinto, participamos de algumas atividades. A infraestrutura e organização do evento foi admirável, mostrando uma exemplar preocupação com acessibilidade (houve distribuição de protetores auriculares para pessoas com sensibilidade a sons, intérpretes de libras e vagas reservadas para pessoas com mobilidade reduzida), uma maravilhosa gestão de som e iluminação, além da constante mobilização política para a construção das cotas trans. Resumidamente, o cuidado da organização do evento foi nítido, extremamente impressionante e revigorante.
Segundo postagens na página no instagram do NCT, o objetivo do evento é “dar visibilidade às diferentes pessoas trans que constroem diariamente a universidade e a comunidade externa” e também “uma forma de pressionar o Conselho Universitário para aprovar as cotas trans no vestibular”. A votação vai ocorrer hoje, 01 de abril, e, caso aprovado, a Unicamp se tornará a primeira universidade estadual de São Paulo a implementar essa política. Desde o último processo seletivo, o Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (Labjor/IEL) conta com reserva de vaga suplementar destinada a pessoas trans (travestis, transexuais e transgênero).
Durante o evento, aconteceu também uma manifestação digital. Através de um QR Code, foi possível aderir a movimentação enviando um e-mail para os responsáveis pela decisão dessa votação. Como diz no e-mail, a aprovação da política de cotas para pessoas trans, travestis e não binárias no ingresso aos cursos de graduação da Unicamp representa “uma medida essencial para enfrentar as desigualdades estruturais que marcam o acesso à educação superior por essa população historicamente marginalizada”. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a estimativa é que a população trans universitária representa menos de 0,3%. Esse e-mail do ativismo digital também explica mais detalhes dessa política, especificando que a proposta garante no mínimo 1 ou 2 vagas por curso – ou até 5% do total de vagas como adicionais.
Essa ação contou com o apoio do mandato da Deputada Federal Erika Hilton, que também foi uma das convidadas do evento. O Teatro Arena da Unicamp estava cheio e eletrizante durante a sua fala. Ao concluir, Erika Hilton afirmou: “o futuro será melhor porque estamos construindo um futuro melhor” e nós gritamos todes em uníssono: “Ninguém vai impedir, a Unicamp vai ser trans, travesti e não binárie”!

 

Legenda: Foto tirada por Fernanda Mariath na Virada Transcultural no Teatro Arena no dia 24 de março